sábado, 26 de dezembro de 2009

Roma, 25/12/2009

Inacreditavel a influencia do espirito natalino aqui em Roma! Eu, que habitualmente já sou um doce, aqui me transformo na bondade em pessoa. Movida por esse espirito, cumpri com a minha funçao social, devidamente orientada pelo Lulinha. Iniciei o meu lacaio no projeto de inclusao digital. Confesso que não é facil. Nada facil! O pobrezinho é um completo analfabeto. Não tem a menor idéia de coisas basicas, que como diria meu irmaozinho, qualquer burro sabe. Tenho que apresentar ao menino coisas como: facebook, orkut, picassa, e..... pasmem!..... skipe.
Mas, como todos os que tem esse meu espirito de madre Teresa sabem, é extremamente prazeroso ver o sorriso no rosto de uma criança (nesse caso meio passada) ao descobrir algo novo e fascinante.
Voces não imaginam como foi incrivel ver o Pedro pulando pela sala na hora que o computador começou a fazer uns barulhos estranhos (era o sinal do Skipe) e a carinha da Naty aparecendo na tela! E quando todo mundo começou a aparecer desejando Feliz Natal? O menino surtou!
Não conseguia entender como aquelas pessoas, conhecidas dele e que estavam no Brasil, podiam estar dentro dessa caixinha magica chamada computador! Deve ter sido semelhante à reaçao dos que viram a TV pela primeira vez...
Foi uma experiencia muito gratificante propiciar essa vivencia ao meu maridinho.


Mas, como nem tudo é bom para sempre, apos desligarmos o computador, longe da webcam, o mostro me obrigou a lavar a louça! Isso mesmo! Na noite de Natal! Inacreditavel! Despois de tudo o que fiz por ele!
Cumpri com a minha obrigaçao sem reclamar. Afinal, é natal.... Vamos deixar o probrezinho acreditar que finalmente me dominou.... amanha ele vai ver so.....


Como a nossa estadia em Roma esta chegando ao fim, decidimos levantar bem cedo e ir conhecer o que faltava da cidade. Pegamos aquele onibus que percorre todos os pontos turisticos da cidade e la fomos nos!
Mais um milagre de Natal: não chovia! Também não tinha nada aberto.... não dava para visitar o Coliseu nem o Vaticano nem nada.....
Não entendi muito bem porque o Pedro estava ligeiramente impaciente comigo so porque quis tirar umas fotinhos. Esses homens sao muito dificeis de agradar! So porque tirei umas 600 fotos (literalmente). Ele não entende nada da dificil arte de fotografar!


Exercitando mais uma vez a minha nova funçao de instrutora do programa de inclusao digital, obriguei o menino (o lacaio...) a tirar algumas fotos minhas. Orientei qual a paisagem eu queria e como eu deveria sair na foto. Não entendi porque ele jogou a maquina no chao e começou a saltar sobre ela feito um louco so porque pedi que tirasse a mesma foto pela 20a vez. Acho que é porque ele ficou frustado por ter dificuldade em aprender.... so pode ser isso, né?


Acho que estou com saudades de dar aula. Aproveitei a jornada de hoje para ensinar à plebe um pouco de relaçoes publicas. Claro que é um tema dificil para seres dotados de tao poucas luzes. Ele não entendeu quando eu não resisti e me intrometi na briga de uma familia de turistas brasileiros. Ele até saiu de perto! So porque os caras estavam com um daqueles europass e não sabiam usar e eu, gentilmente, sem ser solicitada, abordei o pessoal e comecei a explicar o que fazer. Essa plebe não entende nada mesmo! Por isso ele nunca vai poder ser meu assistente quando eu substituir o Celso Amorim. No maximo vai continuar sendo o meu pobre lacaio. Pobre, é claro! Com essa deficiencia na formaçao, nunca vou poder aumentar o salario dele.


O passeio de hoje foi mais deslumbrante que o de Pompeia! Passamos pelo Coliseu, pelo Forum Imperial e o Capitolio. Uma aula de historia magnifica! Meu maridinho realmente é uma enciclopédia ambulante. Sabe tudo de historia romana. Até estou desconfiada que ele foi correspondente da Folha do século VII A.C. até a Unificaçao Italiana em 1881 (mais ou menos). As vezes acho que ele realmente foi Julio Cesar (conforme ele afirma desde que fez uma regressao).


Uma coisa me surpreendeu muito nessa viagem: quase não vi brasileiros. É incrivel o trabalho que o Lulinha fez. Estao todos tao felizes no Brasil que nem querem vir para a Europa (um continente em crise....)


Outra experiencia muito ilustrativa foi a convivencia com a plebe. Pude ver como germinam as revoluçoes. O lacaio Pedro, tao submisso ao pricipio, depois da inclusao em diferentes programas (digital e relaçoes publicas) começou a colocar as asinhas de fora. Já me deixa largada no meio das ruinas e nem da a mao para auxiliar uma patricia como eu a andar naqueles terrenos irregulares. Mas esse foi apenas o começo. Ao chegarmos ao nosso apto, depois de uma longa e exaustiva jornada, me obrigou a passar todas as suas camisas (que eu tive que lavar ontem)! Me senti a propria Maria Antonieta. É dificil entender porque o populacho, apos ser tratado com brioches, decide se rebelar contra sua benfeitora.


Com esse tratamento, espero conseguir sobreviver até o fim da viagem.

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