sábado, 26 de dezembro de 2009

Roma, 23/12/2009

Segue mais um dos relatos "engraçadinhos" del mio marito.
A incrivel transformaçao de Lady Turkey em Calpurnia nas ruinas de Pompeia
(Extraido do diario secreto do lacaio Pietro)
Todos que um dia tiverem acesso a estas breves cronicas de uma vida de lacaio sob  jugo implacavel  hao de saber das desventuras deste pobre escriba ao longo da fatigante faina de servir a personagem tao nobre, quanto malvada, como aquela outrora gentil senhora, de batismo Claudia, que sob fulminante ataque consumista transformara-se em plena Via Condoti em Lady Turkey.
Um dia, ha muito tempo atras, a terrivel Lady decide, de forma surpreendente, atravessar a muralha de Roma para andar a uma cidade fantasma do mezzogiorno, gloria da costa mediterranea nos anos seminais da era crista. Apos chicotear, como fazia habitualmente,  seu pobre lacaio, ordenou: “Pietro, arrume minha bagagem, vamos a Pompeia”. Mal sabia a sgrazziata que estava traçando os contornos do proprio e surpreendente destino.
Apos escapar das nuvens cinzentas e da gelida chuva persistente de Roma, ingressou na sua bela carruagem – puxada, obvio, por este misero lacaio – na magnifica Via del Sole – alias, naquela jornada, iluminada mesmo por um sol deslumbrante. Tudo, entao, andou muito bem. Ate as portas de Pompei.
Ao apresentar-se ante aquela esplendida reliquia do Imperio Romano e, per cosi dire, da historia da Humanidade, tal como ocorrera na Via Condoti sob outra inspiraçao, sentiu um incontrolavel impulso vindo do fundo d’alma, uma nova transformaçao interior que a levou a bradar ante o espantado porteiro de Pompeia: “Aprite le porte, arriva Calpurnia, moglie de Giulio Cesare”. Pois é, a maluca, sem mais nem menos, assumiu a identidade da esposa do primeiro – per cosi dire – imperador romano (como se sabe, depois veio Otavio, mais tarde Augusto,  e com este é melhor nao brincar...).
Come una vera e propria imperatrice, o fato é que a redeviva Calpurnia botou pra quebrar em Pompeia. E nao é que a malvada invocou que este povero lacaio era Giulio Cesare, seu esposo. Em meio ao Forum de Pompeia, entre uma taça e outra de Falerno, viu passaros moverem-se de forma estranha no ar, anunciando tragicos acontecimentos para os idos de março. Eu, miseravel, nel ruolo de Cesare, so fazia concordar com a maluca, ante o pavor de impiedosos castigos.
O fato é que a jornada, ao fim e ao cabo, correu bem e seguramente encerrou-se de forma mais economica que a incursao à Condoti, pois tudo somado a sortida a Pompeia ficou na casa dos 200 euros, contra os milhares gastos nas boutiques famosas daquela  elegante strada de Roma. E Calpurnia, feliz, pode brindar al pranzo com um alegre casal de japoneses, cujo idioma demonstrou conhecer profundamente quando, ao final da refeiçao a base de gnocchi, dirigiu-lhes solene a saudaçao: “Sayonara”.
Mas como nem tudo é perfeito neste mundo, por nao gostar do sabor do molho do almoço, a implacavel Calpurnia obrigou o seu Cesare, ou seja, este humilde cronista, a prepara um tortellini alla panna, burro e formagio, que devorou solenemente, como uma verdadeira imperatriz, apos o que, como esperado, chicoteou il povero Pietro, antes de bota-lo para dormir no terraço, a dois graus abaixo de zero.
Questo è il mio destino, questa è mia vita…

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